domingo, 6 de fevereiro de 2011

Aqui te Amo

Aqui te amo, neste mundo desavindo
Meus barcos levam beijos, que atravessam oceanos
E que te tem como doca de abrigo.
Não quiseste voltar mais ao mar.
Preferiste uma ilha onde encontras-te uma casa na árvore.
Para ti chega. Sim, para ti isso é suficiente.Basta saber até quando.
O calor sabe bem, mas o frio faz-te falta. Os meus barcos tem escala marcada no teu porto, mas não para sempre. Quando quiseres apanhar o barco e ele não passar vais perceber que
foi tarde de mais.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

I wish you were here

A permanência do vazio perturba, nessas longas horas em que as nuvens pairam por cima da cabeça.
Nenhuma luz se encandeia na escuridão de sentimentos que flutuam dentro dessa caixa fechada. Quando o tempo o permite imagino um aquário com dois planetas.
Dois planetas se recusam a andar em órbita um do outro, mas que se precisam mutuamente para fazer funcionar os seus universos.

Nas linhas ténues não consigo ser imparcial, o sentimento ainda clama mais alto e não consigo fugir ao desejo e á saudade que me apazigua a sanidade racional, que eu tanto prezo.
E' principalmente nesses momentos e em todos os outros que não vejo que eu ...
...queria que estivesses aqui

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

18.14.11.9.4.1.14

A solidão faz-me bem. Sinto um conforto simpático quando assim estou. Eu e a natureza morta. Uma simbiose quase perfeita, não fossem objectos ovais do outro lado. Que me puxam e me fazem saltar a parede. A parede que divide dois mundos. Os mundos pelos quais estou completamente apaixonado.
Tento equilibrar-me em cima da parede. Esse objectivo que tem tanto de perfeito como de utópico. Ai quero mesmo o equilíbriu. O ponto médio ideal entre o lobo e a ovelha. Eu quero-o acima de tudo.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Olhos Azuis

Da janela o menino olhou e viu ao longe os olhos azuis penetrantes que lhe entravam pelo pensamento lesado e dorido de uma ferida que não queria sarar.Perguntaram-lhe se gostava daqueles indiferentes olhos azuis, ao qual bastante indignado negou, por ousarem equacionar tal possibilidade. Mas lá no fundo o menino sabia que tal era verdade. Só que a ferida que não se queria curar, e a dor que não queria passar, não o deixavam esquecer aqueles fundos olhos azuis..Certo dia o menino cruzou-se com esses olhos azuis e senti-os como jamais os tinha sentido, distantes, amargos, tristes, feridos, doridos, e questionou-se do alto da sua janela se a cura dos olhos azuis não seria a dor do menino, ou então, se a dor dos olhos azuis não seria a cura do menino..Orgulhoso da sua janela, o menino tentou resistir ao irresistível, tentou esquecer o inesquecível, tentou alterar o inalterável, mas não conseguiu fugir daquilo que queria longe mas que estava tão perto..Por isso se entregou, e hoje contempla da sua janela os seus astros que se tornaram também os astros dos presentes olhos azuis com quem partilha a sua fortaleza, a sua muralha, a sua janela..

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Pedras

Da janela o menino viu aquilo que queria, que sonhava ter, que sonhava ser...mas depois apercebeu-se do caminho de pedras que tinha pela frente. Viu. Olhou. Reflectiu. Suou. Foi atrás, penetrou no rasto de pedras agudas prestes a serem limadas com a sua passagem. A passagem da vida, do princípio da sua promissora vida.
Apareceram pedras redondas e quadradas, pedras grossas e finas, pedras rugosas e polidas. Pedras ficaram, pedras ficam, pedras ficarão, mas sempre com a certeza de que o caminho se tornará cada vez mais estreito. O estreito que reflecte as pedras de toda uma caminhada.
O menino descobriu falhas que tapou com cimento feito de vivências e experiências . Sorriu para Sol que secava o cimento, sempre com a consciência de que o Sol dava lugar á Lua, e tudo aquilo que esta significava. O menino ficou forte com o luar, gozou com Sol, e tornou o seu caminho mais seguro que nunca. Prolongou este até ao limiar da Humanidade, porque sabia que a sua herança iria prevalecer.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Humor

O Humor vem, desde dos tempos mais remotos, com a função de analisar, explicitar e caricaturar aquilo que está mal, ou menos bem, na sociedade onde é inserido.
Já no tempo do Império Romano, pelas ruas de Roma, havia espalhados teatrozinhos que evidenciavam e retratavam a vida boémica de alguns Imperadores e senadores, sempre com a sua "pitada" de diversão. Mais tarde surgiram os bobos da corte da Idade Média que gozavam com a burguesia que "apaparicavam" o rei.
Em Portugal, Gil Vicente formulou o auto da "Barca do Inverno", com satira e humor. Eça mais tarde, em "Os Maias", fez mais do mesmo mas com mais elegância e beleza.
O Humor é apenas o "abrir de olhos" de uma sociedade adormecida e com medo de falar. Foi com Humor que se "abriu" mentalidades, que se disse aquilo que não se podia, nos momentos que não se podia, mas na altura certa. O Humor manifestou-se contra ditaduras, contra aquilo que nao se devia fazer.
O Humor serviu, serve e servirá de Consciência de uma sociedade mais inocente e fragil, que se liberta sob esta forma de expressão.