domingo, 1 de fevereiro de 2009

Olhos Azuis

Da janela o menino olhou e viu ao longe os olhos azuis penetrantes que lhe entravam pelo pensamento lesado e dorido de uma ferida que não queria sarar.Perguntaram-lhe se gostava daqueles indiferentes olhos azuis, ao qual bastante indignado negou, por ousarem equacionar tal possibilidade. Mas lá no fundo o menino sabia que tal era verdade. Só que a ferida que não se queria curar, e a dor que não queria passar, não o deixavam esquecer aqueles fundos olhos azuis..Certo dia o menino cruzou-se com esses olhos azuis e senti-os como jamais os tinha sentido, distantes, amargos, tristes, feridos, doridos, e questionou-se do alto da sua janela se a cura dos olhos azuis não seria a dor do menino, ou então, se a dor dos olhos azuis não seria a cura do menino..Orgulhoso da sua janela, o menino tentou resistir ao irresistível, tentou esquecer o inesquecível, tentou alterar o inalterável, mas não conseguiu fugir daquilo que queria longe mas que estava tão perto..Por isso se entregou, e hoje contempla da sua janela os seus astros que se tornaram também os astros dos presentes olhos azuis com quem partilha a sua fortaleza, a sua muralha, a sua janela..

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